sábado, 17 de março de 2012

A HISTÓRIA DOS ACORDOS ORTOGRÁFICOS DA NOSSA LÍNGUA.

A HISTÓRIA   DOS ACORDOS ORTOGRÁFICOS DA NOSSA LÍNGUA.

A existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa,
a lusitana e a brasileira, tem sido considerada como largamente
prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu
prestígio no mundo.
Tal situação remonta, como é sabido, a 1911, ano em que foi
adotada em Portugal a primeira grande reforma ortográfica, mas que
não foi extensiva ao Brasil.
Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras, em
consonância com a Academia das Ciências de Lisboa, com o
objetivo de se minimizarem os inconvenientes desta situação, foi
aprovado em 1931 o primeiro acordo ortográfico entre Portugal e o
Brasil. Todavia, por razões que não importa mencionar, este acordo
não produziu, afinal, a tão desejada unificação dos dois sistemas
ortográficos, fato que levou mais tarde à Convenção Ortográfica de
1943. Perante as divergências persistentes nos Vocabulários
publicados pelas duas Academias, que punham em evidência os
parcos resultados práticos do Acordo de 1943, realizou-se, em 1945,
em Lisboa, um novo encontro entre representantes daquelas duas
agremiações, o qual conduziu à chamada Convenção Ortográfica
Luso-Brasileira de 1945. Mais uma vez, porém, este Acordo não
produziu os almejados efeitos, já que foi adotado em Portugal, mas
não no Brasil.
Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram
promulgadas leis que reduziram substancialmente as divergências
ortográficas entre os dois países. Apesar destas louváveis iniciativas,
continuavam a persistir, porém, divergências sérias entre os dois
sistemas ortográficos.

Foi, pois, tendo presentes estes objetivos que se fixou o novo
texto de unificação ortográfica, o qual representa uma versão menos
forte do que as que foram conseguidas em 1945 e 1986, mas ainda
assim suficientemente forte para unificar ortograficamente cerca de
98% do vocabulário geral da língua.

A existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa,
a lusitana e a brasileira, tem sido considerada como largamente
prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu
prestígio no mundo.
Tal situação remonta, como é sabido, a 1911, ano em que foi
adotada em Portugal a primeira grande reforma ortográfica, mas que
não foi extensiva ao Brasil.
Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras, em
consonância com a Academia das Ciências de Lisboa, com o
objetivo de se minimizarem os inconvenientes desta situação, foi
aprovado em 1931 o primeiro acordo ortográfico entre Portugal e o
Brasil. Todavia, por razões que não importa mencionar, este acordo
não produziu, afinal, a tão desejada unificação dos dois sistemas
ortográficos, fato que levou mais tarde à Convenção Ortográfica de
1943. Perante as divergências persistentes nos Vocabulários
publicados pelas duas Academias, que punham em evidência os
parcos resultados práticos do Acordo de 1943, realizou-se, em 1945,
em Lisboa, um novo encontro entre representantes daquelas duas
agremiações, o qual conduziu à chamada Convenção Ortográfica
Luso-Brasileira de 1945. Mais uma vez, porém, este Acordo não
produziu os almejados efeitos, já que foi adotado em Portugal, mas
não no Brasil.
Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram
promulgadas leis que reduziram substancialmente as divergências
ortográficas entre os dois países. Apesar destas louváveis iniciativas,
continuavam a persistir, porém, divergências sérias entre os dois
sistemas ortográficos.
 
O novo acordo ortográfico da lingua portuguesa, aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo n. 54, de 18 de abril de 1995 e, em vigor desde primeiro de janeiro de 2009, introduziu algumas alterações na ortografia de nossa língua, a última flor do Lácio...

Significado de Flor do Lácio

O que é Flor do Lácio:

Flor do Lácio é uma expressão usada para designar a língua portuguesa. O poeta brasileiro Olavo Bilac, se referiu ao idioma português como a última das filhas da língua latina, tornando assim conhecida a primeira frase de sua poesia chamada “Língua Portuguesa”, onde diz “A última flor do Lácio, inculta e bela”. Inculta significa que apesar das pessoas falarem e escreverem errado, a língua portuguesa continua bela. 

Origem do Termo Flor do Lácio

Lacio é uma cidade italiana onde primitivamente era falado o Latim. As línguas chamadas latinas, isto é, que derivam do latim são: francês, espanhol, italiano e o português, que foi a última língua derivada do latim. Por isso a citação de Olavo Bilac se referindo a língua em seu poema.

Soneto Língua Portuguesa de Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

 


 

Soneto Língua Portuguesa de Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!




Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

FLOR DE LIS :MINHA FLOR AMADA...  

Significado de Flor de Lis

O que é Flor de Lis:

Flor de lis é uma figura muito associada à monarquia francesa, em especial ao rei da França. A flor-de-lis é símbolo de poder e soberania, assim como de pureza de corpo e alma.
flor-de-lisA palavra lis, significa lírio ou iris, e é a representação de uma flor, e seu simbolismo, é o que os elementos heráldicos querem transmitir, quando a empregam sob as mais diversas formas. É uma das quatro figuras mais populares em brasões, juntamente com a águia, a cruz e o leão.
A flor de lis é o símbolo do movimento escoteiro, onde as três pétalas representam os três pilares da promessa escoteira e o apontar para o Norte em mapas e bússolas, mostra para onde o jovem deve ir, sempre para cima.
Certos estudiosos afirmam que a flor-de-lis teve sua origem na flor-de-lótus do Egito, outros defendem que foi inspirada na alabarda ou lírio - um ferro de três pontas que se colocava fincado nos fossos ou covas para espetar quem ali caísse. Outra possível origem é a de que seja uma cópia do desenho estampado em antigas moedas assírias e muçulmanas.






FONTES: SITE - O SIGNIFICADO,WIKIPÉDIA,POR TRAS DAS LETRAS,REVISTA CONSTRUIR.

PROFESSORA MIRTHS CAVALCANTE.

 















quarta-feira, 14 de março de 2012

14 DE MARÇO - DIA DA POESIA

Linha do Tempo da Poesia Pernambucana


PANORAMA DA POESIA EM PERNAMBUCO
Heloísa Arcoverde de Morais*

LUGAR DE POETA É AQUI
             ONDE O MAR É UMA MONTANHA....         
que na língua dos bárbaros escura
Paranambuco de todos é chamado

Bento Teixeira

A história da poesia em terras pernambucanas começa, fins do século XVI, com a PROSOPOPÉIA, de Bento Teixeira, poema épico para exaltar o governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Polêmicas à parte sobre o valor literário da obra, a PROSOPOPÉIA, publicada em Lisboa, no ano de 1601, após a morte do autor, consta como sendo o primeiro texto poético escrito no Brasil, entre 1585 e 1594. Foi a época em que o poeta residiu em Olinda.
Todos cantam sua terra....

SÉCULO XVII
Tempos de Nassau
Maurício de Nassau, o Conde, governa Pernambuco holandês entre 1637 e 1644. Ergue palácios, constrói pontes, traz para o Recife artistas e cientistas que perpetuam os tempos flamengos. Nassau permanece no imaginário dos poetas da cidade maurícia.

SÉCULO XVIII
Religiosos, mas nem tanto
Na próspera capitania do açúcar, as atividades literárias não progrediam na mesma proporção das atividades econômicas. Os conventos eram o celeiro cultural e aos frades e padres cabia a primazia das letras.
O Barroco ainda predominava, atingindo alto grau de maneirismo. Aqui em Pernambuco, temos o Frei Jaboatão (Recife, 1695 - 1763/1775) com uma poesia sacra:
Ao menino Deus nascido no Presépio:
Esse que vês, pequenino,
nessas palhas reclinado
do Padre é verbo divino,
por nosso amor humanado

E a poesia satírica e bem humorada como a do Pe. Antônio Gomes Pacheco (Itamaracá 1741):
Pergunta certa Senhora
Sem presumir mal algum,
Se um beijo, na sexta-feira,
Fará quebrar o jejum..


SÉCULO XIX
Revoluções libertárias, novos pretextos poéticos
Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer

Frei Caneca
Sopraram em Pernambuco os ideais da Revolução Francesa de 1789, deflagrados na Revolução de 1817. Sufocada, deixa as sementes da rebeldia que prosperam, de novo, em 1824, com a Confederação do Equador.
O nacionalismo revolucionário, antimonarquista, sobressai nas campanhas jornalísticas do Typhis Pernambucano (1823-1824), dirigido pelo Frei Caneca, sob a égide do Iluminismo.
Frei do Amor Divino Caneca é fuzilado em 1825, no Forte das Cinco Pontas, após a derrota da conjuração. Deixa o sentimento libertário como herança poética.
Na literatura, ainda domina o estilo neoclássico. A poesia de José da Natividade Saldanha (Jaboatão 1795 - Bogotá 1830), poeta revolucionário dessa época, revela o lado patriótico e dilui o estético.
"Ai de mim que sou assim... romântico"
A transição, em Pernambuco, entre o neoclassicismo e a nova estética do Romantismo, surge na poesia de Maciel Monteiro, o Barão de Itamaracá. O poeta dos salões nasce no Recife em 1804. Político e diplomata, atua em Lisboa onde morre no ano de 1868. Seus poemas, então esparsos, foram reunidos e publicados em edição póstuma (Recife 1905) por Regueira Costa e Álvares de Carvalho. O soneto FORMOSA contém elementos românticos como a divinização da mulher:
Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera rosa purpurina

Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual no céu jamais brilhara
Astro gentil, estrela peregrina

Formosa, qual se a natureza e a sorte,
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores
Jamais soube imitar no todo ou parte;

Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!

Maciel Monteiro



O navio é negreiro
Mal de amor não tem remédio. De saudade, tristeza e tuberculose morrem os poetas ultra-românticos.
Meados do século XIX. O céu é do condor. A poesia social dessa última fase romântica se inspira em Victor Hugo. Com 16 anos, em 1864, Castro Alves chega ao Recife para os estudos de Direito. Além dos suspiros pela atriz Eugênia Câmara, o baiano empresta voz e versos à grande causa do abolicionismo. Na mesma época, vem para ficar o sergipano Tobias Barreto. Poetas rivais, Castro Alves e Tobias Barreto agitam o Teatro de Santa Isabel com embates poético-passionais.
Pertence a essa fase condoreira, Vitoriano Palhares (Recife 1840-1890), com um lirismo subjetivo e patriótico, que tem a Guerra do Paraguai como tema.

FINAL DO SÉCULO XIX
Ciência, filosofia e arte
Século dezenove! o bronze do teu vulto
Há de ser venerado, há de se impor ao culto
Dos pósteros, bem como impõe-se à escuridão
Um relâmpago, um raio, um brilho, uma explosão!

Martins Júnior (Visões de Hoje)
Em torno de 1870, desembarcaram no Recife as influências do realismo europeu, embora românticos versos inspirassem ainda (e sempre) as vocações poéticas, tênues que são os limites de um movimento literário a outro. A vida intelectual da cidade é intensa. A Faculdade de Direito é o grande centro de formação de bacharéis, vindos de todo o Nordeste. Aglutinava professores e estudantes em torno das causas abolicionistas e republicanas, com destaque para os sergipanos Sílvio Romero e Tobias Barreto que nela viria a ensinar.

A Escola do Recife
Após a fase condoreira (1867-1870), a poesia romântica de Tobias Barreto cede espaço à oratória e à prosa científica. Será a figura central da escola que o crítico literário Sílvio Romero, um dos seus seguidores, denominará Escola do Recife, sob a égide da filosofia alemã. Irradiará a nova ordem no meio cultural do Recife com base no positivismo e no evolucionismo.
Martins Júnior (Recife 1860 - Rio 1904) assumirá o tom realista na sua poesia científica: Lateja-me, no crânio, o cérebro e, no peito, // lateja-me, fervente, o coração. Termos científicos que, no início do século XX, o paraibano Augusto dos Anjos (PB 1884-MG 1914), utilizará no seu livro Eu.. Morou no Recife e poetizou a Ponte Buarque de Macedo.

A virada do século
O ideal da impessoalidade que se contrapõe ao Romantismo e o culto pela forma ditam o verso parnasiano. A estética da arte pela arte, assimilada dos franceses Theóphile Gautier e Leconte de Lisle, atravessa os primeiros vinte anos do novo século.
O poeta pernambucano, Medeiros e Albuquerque, inaugura o Simbolismo no Brasil, antes de Cruz e Souza, ao lançar Pecados, em 1889.
Parnasianos do fim do século e os neoparnasianos, seus sucessores, cultuarão o gosto pelo soneto, traídos muitas vezes pelos traços românticos e até simbolistas dos temas. Eis o cenário recifense dos poetas que abrangem esse período:
Farias Neves Sobrinho, Gervásio Fioranti e Carlos Porto Carreiro publicavam na Revista Contemporânea, dirigida por França Pereira e no Almanaque de Pernambuco, de Júlio Pires.
A essa geração sucede a da Heliópolis com Teotônio Freire, Manuel Arão, Mariano Lemos, Bastos Tigre. Esdras Farias é o poeta da geração boêmia.
Destacaríamos Olegário Mariano, radicado no Rio de Janeiro e Eugênio Coimbra Júnior, jornalista com produção poética até os anos 70 do século XX.
Estes quatro séculos de panorama poético delineiam o caráter aglutinador e cosmopolita da literatura em Pernambuco, pólo cultural do Nordeste: seus poetas são também, alagoanos, baianos, cearenses, paraibanos...

SÉCULO XX
Fartos do lirismo comedido
Até início dos anos 20, com raras exceções, a produção literária, mais especificamente a poesia, restringia-se ao soneto de forma repetitiva. Evidente que este marasmo seria sacudido pelos ventos transformadores que agitavam as diversas manifestações culturais, em várias partes do mundo, sendo São Paulo, no sul do país, o pólo dessas mudanças que culminaram na Semana da Arte Moderna de 1922.
Com Gilberto Freyre à frente, consolida-se um movimento que direciona a renovação cultural para o Regionalismo em Pernambuco, gerando fatos como o 1º Congresso Regionalista do Nordeste e a conseqüente publicação do Manifesto Regionalista. Por outro lado, polemizando, Joaquim Inojosa divulga as tendências modernistas na cidade, à semelhança de São Paulo.
Quanto à renovação da poesia, cuja produção ainda continuava, na sua maior parte, presa ao Romantismo e ao Parnasianismo, coube papel de destaque à Revista do Norte, idealizada por José Maria de Albuquerque e que reunia intelectuais freqüentadores do Café Continental, na Esquina da Lafaiete, centro do Recife.
Dessa década saem poetas como Benedito Monteiro, Vicente do Rego Monteiro (também pintor) e Austro Costa. Mas é a poesia de Ascenso Ferreira, impregnada de sensualidade brejeira, de saudade dos engenhos (seu primeiro livro Catimbó foi lançado pela Revista do Norte), ao lado da obras de Joaquim Cardozo e de Manuel Bandeira, já radicado no Rio de Janeiro, que irão marcar essa época. Trio que instaurou a modernidade entre nós.

Geração 45, o retorno à medida
O lápis , o esquadro, o papel;
O desenho, o projeto, o número:
O engenheiro pensa o mundo justo,
Mundo que nenhum véu encobre

João Cabral de Melo Neto(O engenheiro)
É a geração que, em várias partes do Brasil, sucede ao furor experimental do Modernismo de 22, com suas próprias experiências na linguagem poética, de acentuada preocupação com o rigor formal e com a metalinguagem - a poesia que fala da poesia. A recusa, por exemplo, aos poemas piadas, aos versos livres, é, de certo modo, o denominador comum dessa geração, assim batizada, por Domingos Carvalho da Silva, em 1948.
Em Pernambuco, a produção poética local apresenta, também, uma temática de caráter neo-regionalista.
Situam-se, neste contexto, Mauro Mota, Carlos Moreira e Edson Regis. O alagoano Geraldino Brasil lança seu primeiro livro de poemas em 1948. Na trajetória pernambucana de sua poesia, prende-se pouco ao rigor formalístico e imprime em seus versos o tom coloquial do espetáculo da vida. Deolindo Tavares faz poesia ainda nos anos 30, mas sua obra só é publicada postumamente em 45.
Por critério cronológico, alguns ensaístas acrescentam o nome de João Cabral de Melo Neto, no entanto, sua poesia vai além dos padrões dessa geração. Considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, Cabral ultrapassa as fronteiras de Pernambuco e do Brasil.

Solano Trindade (Recife 1908 - Rio 1974)
Civilização branca
Lincharam um homem
entre os arranha-céus
(li num jornal)
procurei o crime do homem
o crime não estava no homem
estava na cor de sua epiderme.

(in Cantares ao meu povo)
A poesia de Solano Trindade vai do humanismo socialista à defesa dos valores afrobrasileiros, atingindo a universalidade pelo vigor da linguagem poética.

Além de Gerações
Grupo de poetas com estréia a partir dos anos 50, como é o caso de Carlos Pena Filho, Edmir Domingues e Audálio Alves.
Como divisor de águas entre essa geração e a dos poetas que irão compor a geração 65, situaríamos a poesia de César Leal, poeta e ensaísta. Segundo o crítico Eduardo Portela sobre a produção poética César Leal: o trabalho encantado da linguagem é das construções mais convincentes da nossa literatura contemporânea.
Francisco Bandeira de Mello, também, inicia nos anos 50 a sua produção poética, com destaque para os seus sonetos líricos. No início de 60, surge a poesia de Sebastião Uchoa Leite, que se notabiliza, ainda, como ensaísta e, apesar de sua permanência longe do Recife, deixa, após sua morte, um vazio intelectual na cidade.

Vertiginosamente azul
Carlos Pena Filho
Poeta dos mais queridos nesta cidade "metade roubada ao mar, / metade à imaginação," onde nasceu em 1929 e morreu em 1960. O lirismo dos seus sonetos permanece na memória dos antigos e novos freqüentadores, ou não, do Bar Savoy pois é lá que
o refrão é sempre assim:
são trinta copos de chope,
são trinta homens sentados
trezentos desejos presos
trinta mil sonhos frustrados.


GERAÇÃO 65
Múltiplas margens
Tadeu Rocha foi quem a denominou. O grupo é numeroso. Seus poetas ainda estão atuantes, daí a ambigüidade de se classificar artistas por geração. Muitos começos. Todos em torno de 1965. O crítico literário César Leal lança no Suplemento Literário do Diario de Pernambuco e na revista Estudos Universitários os primeiros nomes desta geração: Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo e Domingos Alexandre. Esman Dias, Everardo Norões e Orley Mesquita publicam seus poemas na Clave - caderno de poesia (Tipografia Marista 1965)
Outros poetas se aglutinam. Freqüentam os bares Torre de Londres (13 de Maio) e Savoy (Guararapes) e a Livro 7. Celina de Holanda os reúne em sua casa. João Cabral é a influência maior. Pertencem, também, a essa geração: José Carlos Targino, Marcus Accioly, Arnaldo Tobias, Ângelo Monteiro, Montez Magno, Fernando Monteiro, Marco Polo, Sérgio Moacyr de Albuquerque, Tarcísio Meira César, Severino Filgueira, José Rodrigues de Paiva, Cyl Gallindo, José Mário Rodrigues, Gladstone Vieira Belo.
Incorporam-se, depois, Almir Castro Barros, Luis Carlos Duarte, Lucila Nogueira, Janice Japiassu.


ANOS 70
Movimento Armorial
Voltado para uma temática nordestina, abrangendo a literatura, a dança, a música, as artes plásticas e as artes cênicas, seu objetivo é a realização de uma arte erudita brasileira. O poeta e dramaturgo Ariano Suassuna foi o criador do Movimento.
Pertenceram ao movimento os poetas Ângelo Monteiro, Deborah Brennand e Janice Japiassu.

A palavra da mulher
O final do século XIX já revelava uma atuação de poetisas pernambucanas escrevendo em jornais e revistas literárias que circulavam entre mulheres de todo o Brasil. Ao contrário dos jornais masculinos que as associavam à maternidade e ao magistério, abordavam temas políticos, contra a escravidão e a favor da República e em seus poemas falavam do amor, do desejo, e da vontade de escrever. São elas:
Francisca Izidora, Thargélia Barreto de Menezes, Ana Nogueira, Maria Heráclia e Joana Tiburtina Lins.
O Recife apresenta uma marcante presença feminina na poesia contemporânea..
Em 1979, a poeta portuguesa, naturalizada pernambucana, Maria de Lourdes Hortas, reuniu em livro sob o título Palavra de mulher (poesia feminina brasileira contemporânea) poetas mulheres de todo o Brasil, destacando as de Pernambuco: Tereza Halliday, Celina de Holanda, Deborah Brennand, Maria da Paz Ribeiro Dantas, Tereza Tenório, Zila Mamede, além da própria Maria de Lourdes Hortas.
Acrescentaríamos a esta lista de mulheres uma nova geração de poetas: Dione Barreto, Fátima Ferreira, Vernaide Vanderlei, Andrea Borba, Miriam Brindeiro, Clara Angélica, Cida Pedrosa, Lea Lopes, Júlia Lemos e Danielle Romani, Silvana Menezes, Aline Andrade, Cecília Villanova, entre tantas outras.

Resistir era preciso
Os anos 70 dão continuidade àquela poesia da década de 60, fiel ao lirismo bandeiriano ou herdeira de Cabral.
Entretanto, uma nova postura de fazer poesia como alternativa ao lirismo comedido ou como resistência aos poderes dominantes (golpe de 64) ocorre, também, em Pernambuco, a exemplo de outros pontos do país.
Dos meados da década de 70 ao início dos anos 80, Recife e Olinda são agitados por diversas manifestações poéticas: recitais, movimentos alternativos, caminhadas poéticas. É a poesia em bares, praças e ruas.
Convive-se com uma poesia que vai do texto bem comportado à vertente dos demolidores da linguagem, como um Jomard Muniz de Britto, professor universitário, cineasta, poeta e ensaísta.
Para o crítico paraibano Hildeberto Barbosa Filho em seu ensaio sobre a Terceira Aquarela do Brasil: uma escritura tropicalista: Jomard Muniz de Britto opera em múltiplos níveis: o redimensionamento histórico (Terceira Aquarela do Brasil); a desmistificação pedagógica (educação pela marreta); o estamento cultural pelo avesso (procura-se vivo ou morto); a perquirição política do momento (PT situações) e a leitura reiterativa do Nordeste (nos abismos da pernambucália).
Ligados, ainda, a esta vertente de desconstrução / construção da linguagem estão os poetas Pedro Américo e Wilson Araújo de Souza que, em parceria publicaram o folder Pedro Américo/Wilson Araújo.
Encontramos exemplo do poeta individual, andarilho, em Juareiz Correya. À época, Juareiz costumava viajar pelo interior abrindo espaços como divulgador de sua poesia. Publicou Americanto.

Poesia Visual
Segundo depoimento de Paulo Bruscky, o poema Processo surgiu em dezembro de 1967, simultaneamente em Natal e no Rio e teve não só grande repercussão como adesão de artistas e poetas pernambucanos. No período de 1968 a 1972 integraram este movimento: José Cláudio, Ivan Maurício, Arnaldo Tobias, Paulo Bruscky, Jobson Figueiredo e Alberto Cunha Melo.
Vale ressaltar a colaboração do Caderno C do Suplemento Cultural do Jornal do Commercio dirigido inicialmente por Celso Marconi e depois por Alberto Cunha Melo, que publicaram não só poetas locais, como também textos teóricos sobre o Poema Processo.
Alguns fatos são pioneiros, como o Livro do carimbo de José Cláudio, a publicação coletiva de Metamorfome de Ivan Maurício (livro envelope) com trabalho de José Cláudio, Zezo, Daura, Humberto.
A partir de 1973, eclodem no Recife movimentos de Poesia Visual e Experimental, além da Arte Correio ou Arte Postal, sendo Paulo Bruscky iniciador deste movimento pioneiro no país. Entre os participantes mais ativos estão Jomard Muniz de Brito, Daniel Santiago, Paulo Bruscky, Silvio Hansen, Arnaldo Tobias, Wilson Araújo, Pedro Américo, Ivan Maurício, Ypiranga Filho, Tarcísio Silva, Marconi Notaro, Maurício Silva, Leonhard Frank Duch e Alexandre Nóbrega. Várias publicações foram feitas neste período: revista Punho 1973; Envelope Multipostais 1978; Revista A Gazeta 1977; Telegramarte; Envelope 1978; Revista Classificada 1979 e Marca da Fantasia 1984.
 
ANOS 80
A poesia independente
Em 1981, começou no Recife o Movimento dos Escritores Independentes. Caracterizou-se pela promoção de recitais de poesia nas ruas: na calçada em frente à Livro 7, no Bar Casarão, na Rua Sete de Setembro, no Beco da Fome e na Praça do Sebo. Esse tipo de poesia começou a ter peso na imprensa e na intelectualidade pelo público que atraía. Marcelo Mário de Melo, um dos participantes, nos conta que nas manhãs dos sábados toda a freguesia das Lojas Americanas (próxima à Livro 7) se deslocava para ouvir e ver os poetas.
Marcelo ressalta que nem sempre havia nessa poesia um conteúdo crítico, político ou social. Se um poeta queria apresentar o seu poema, ter seu público, integrava-se a esse grupo para tal.
Participavam os poetas: Marcelo Mário de Melo, Léa Lopes, Azimar Rocha, Don Antônio, Geni Vieira, Wilson Freire, Jane Faria, Caesar Sobreira, Eduardo Martins, Cida Pedrosa, Francisco Espinhara, Samuel Santos, Fátima Ferreira, Chico Sá, Hector Pellizi, Manoel Constantino, Fred Caminha, Dione Barreto, Luis Carlos Monteiro.
Recitais ainda ressoam nos eventos de hoje. Outros poetas aderem e formam novos grupos com performances nos acontecimentos da cidade.
Vem da década de 80 a atuação de dois novos poetas, revelados, também por César Leal: Weydson de Barros Leal e Mário Hélio.

Os poetas da Rua do Imperador
O grupo "Os poetas da Rua do Imperador" foi uma invenção do poeta Vital Corrêa de Araújo, reunindo poetas que transitavam ou trabalhavam por aquela rua, entre eles, Iran Gama e Edgar Powell.

ANOS 90
A lição de poesia: marginal ou acadêmica?
Fazer versos, isso se aprende em academias? Ganha o Recife a sua geração 95? Existe uma produção poética que já chega madura, respaldada em erudição e embasamento teórico? Ou a poesia anda solta nas ruas, nas praças, nos bares? tão livre quanto seus poetas marginais? O final da década traz a poesia de Alvacir Raposo com a publicação d'O discurso do rei.
O ano 2000 inicia o milênio com Eduardo Diógenes lançando o livro A Barlavento. Jairo Lima surpreende com o Livro das Árias e das horas-pequeno livro das nuvens.


Da lama ao caos
Chico Science dá o mote e o compasso aos exercícios de linguagem dos mais jovens praticantes, com direito a se legitimar na arte da poesia. O manguebeat bate forte nos ritmos, nos versos e nas letras de música.

Novo milênio
Linguagens plurais. Multimeios. Que vanguardas? Quais rupturas ou neoconservadorismos? "poesia@com.pe"? Quem navegar, neste site, ver

domingo, 11 de março de 2012

MINHA INFÂNCIA :BRINQUEDOS DOS ANOS 80

ALGUNS BRINQUEDOS DA ÉPOCA:


A
(Foto: Divulgação / Lupa Expo)
Coisa de outro mundo
Com formato de OVNI, o Genius era um jogo de memória: era preciso repetir uma sequência formada pelas luzes e sons emitidos previamente pelo brinquedo. Se você der a versão atualizada desse clássico para uma criança de hoje, ela talvez não ache muita graça — afinal, vivemos a era dos vídeo games ultramodernos. Já para a molecada dos anos oitenta… Ah, parecia coisa de outro mundo aquele disco colorido e barulhento.

(Foto: Divulgação / Lupa Expo)
Relação de amor e ódio
Às vezes dava vontade de arremessar longe o Cubo Mágico (e muita gente fez isso, aliás). Criado em 1974 pelo húngaro Ernõ Rubik, o quebra-cabeça colorido despontou aqui no Brasil na década seguinte, para alegria (e irritação) da criançada. O misto de sentimentos tão contraditórios deve-se ao desafio do brinquedo: organizar as laterais do poliedro de seis lados de modo que cada face reunisse apenas quadradinhos da mesma cor. O problema é que, quando se conseguia arrumar uma delas, alguma outra — grrrrrr! — ficava bagunçada. Era tão complicado que dezenas de livros com instruções chegaram às prateleiras na época.


(Foto: Divulgação / PlayToy)
Resistente dos sete mares
A rigor, o Pula-Pirata chegou ao mercado antes dos anos oitenta — foi lançado pela Estrela em 1978. Mas, nos Natais de boa parte da década seguinte foi um dos presentes que mais faziam sucesso. Em parte porque o embrulho ficava gigante devido ao volume do barril. Encontrado até hoje nas lojas, o jogo de espetar a espada e torcer para o boneco não pular ganhou versões tecnológicas e virtuais. É possível, inclusive, comprar o Pula-Pirata USB 2.0 — que funciona como um USB hub — e o Pop-up Pirate para Wii.

(Foto: Reprodução)
Enjoo que terminava em $$$
Se a gente para pra pensar, chega à conclusão que o Boca Rica pertence à categoria dos brinquedos “sem lógica, mas legais”. Afinal de contas, consistia em enfiar moedas coloridas num cofre vermelho. Em dado momento, um mecanismo acionado aleatoriamente fazia a portinha se abrir, e o mais sortudo embolsava a “fortuna”. Destaque gracinha para um detalhe de que muita gente não se lembra: a cada fichinha que descia, os olhos do cofre giravam como se ele estivesse enjoado. Quer dizer: é praticamente como se o bichinho vomitasse, né?

(Foto: Divulgação / PlayToy)
Febre militar
A primeira leva, com seis personagens, chegou às lojas do Brasil em 1984. Mas os Comandos em Ação viraram febre mesmo dois anos depois, quando a Rede Globo começou a exibir um desenho animado com os soldados, policiais, bombeiros e paramédicos do G.I. Joe (nome do original americano). Teve até um menino que foi ao “Porta da Esperança”, de Silvio Santos, pedir a coleção completa. E ganhou, para inveja de muita gente que assistiu ao programa.

(Foto: Divulgação / PlayToy)
Um trem para chamar de seu
Muito marmanjo ainda guarda seu kit com uma ferrovia, uma locomotiva e vários vagões. A paixão pelo Ferrorama — um dos mais caros da época — é tamanha que, em 2010 a Estrela prometeu que lançaria uma nova versão com uma condição: os fãs teriam que fazer a locomotiva percorrer os 20 quilômetros finais do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, usando 110 metros de trilhos — enquanto o trenzinho corria, era preciso retirar trechos do início do trajeto e encaixar no final para evitar que a máquina descarrilhasse. O desafio foi cumprido.

(Foto: Reprodução)

Esportes (quase) sedentários
Futebol, basquete e outros esportes eram praticados sem a gente precisar sequer levantar da cadeira. Isso era necessário apenas para caminhar até a torneira mais próxima e encher de água o Aquaplay. Era quase como um fliperama de mão, uma versão meio artesanal — e muito divertida — dos vídeo games.

(Foto: Divulgação)
A temível boneca loira
No Brasil da década de 80, a gente mal tinha ouvido falar na expressão “lenda urbana” — pelo menos com esse nome elaborado —, mas viveu várias delas. Uma das mais famosas tinha como protagonista a boneca da Xuxa. Todo mundo tinha uma prima da vizinha de uma amiga da madrinha (ou relação distante similar) cuja filha havia sido atacada pela versão brinquedo da Rainha dos Baixinhos. Variações do “causo” envolviam outro boneco da época, o Fofão. Havia quem jurasse ser possível encontrar uma faca dentro deste último, aliás. As duas histórias e suas centenas de versões ganharam fôlego depois do sucesso de Chucky, personagem central do filme de terror “Brinquedo Assassino”, de 1988.

(Foto: Divulgação / PlayToy)
Para bancar a maquiadora
Quando a Barbie aterrissou no Brasil, em 1982, pôs fim ao reinado absoluto de outra boneca, a Susi, sucesso desde os anos 70. Depois disso, a loira norte-americana conquistou as garotas com outros brinquedos que levavam sua cara, literalmente. Era o caso da Barbie Hair, que foi lançada com o slogan “cada penteado é uma nova brincadeira”.

(Foto: Reprodução)
Jingle sobre rodas
De roupinha esporte, ela era uma graça e ensinava a gente a patinar. Muito precavida, usava cotoveleira, capacete e joelheira. Tratava-se da Lu Patinadora — o nome já diz qual era seu principal atributo, certo? — a boneca que virou objeto de desejo de muitas meninas (e, vá lá, alguns meninos também). A bem da verdade, era um tanto sem graça. Nem de perto pode ser comparada em popularidade a uma Barbie, por exemplo, mas ficou eternizada na cabeça de quem foi criança na época sobretudo por causa do jingle matador que tocava em seu comercial: “Lá, lé, li, ló, Lu Patinadora…”. Pronto, agora essa musiquinha vai ficar grudada na sua cabeça.

MEUS BRINQUEDOS:
Na minha infância ,possui alguns brinquedos da moda.Meu pai sempre trabalhou em empresas de grande porte e nós ganhávamos brinquedos da ESTRELA.VEJA ALGUNS:


AQUAPLAY SAPINHO: MEU PREFERIDO.
 ALQUIMIA:

LUDODISNEY:

BONECA QUERIDINHA:












 BONECA DE PANO SIMPLES:


EU TAMBÉM FAZIA PANELINHAS DE BARRO,MÓVEIS DE CAIXA DE FÓSFOROS...
 GRAÇAS A DEUS , EU TIVE INFÂNCIA!!
LUPA : LUPA EXPOR

sábado, 10 de março de 2012

Recife -475 ANOS

História do Recife



Vista da Cidade Maurícia (Recife) cerca de 1645. Gravura em água forte de Pieter Schenck baseada em desenho de Frans Post para o livro Rerum in Brasilia et alibi gestarum de Caspar Barlaeus.
A cidade do Recife tem sua origem intimamente ligada à de Olinda. No foral (carta de direitos feudais) de Olinda, concedido por Duarte Coelho em 1537, há uma referência a "Arrecife dos navios", um lugarejo habitado por mareantes e pescadores. O Recife permaneceu português até a independência do Brasil, com a exceção de um período de ocupação holandesa entre 1630 e 1654.


Durante os anos anteriores à invasão da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, o povoado do Recife existiu apenas em função do porto e à sombra da sede Olinda, local que a aristocracia escolheu para residir devido à sua localização elevada, que facilitava a defesa. Ergueram-se fortificações e paliçadas em defesa do povoado e do porto do Recife, todas elas voltadas para o mar. Os temores voltavam-se para o oceano por conta dos constantes ataques ao litoral da América Portuguesa pela navegação de corso e pirataria. Ainda no final do século XVI o "povo dos arrecifes" foi atacado e saqueado pelo pirata inglês James Lancaster que, com três navios, derrotou a pequena guarnição responsável pela defesa do porto. Entre os anos de 1620 e 1626 o então governador Matias de Albuquerque procurou estabelecer posições fortificadas no porto do Recife a fim de que se pudesse evitar outro ataque como aquele, bem como dissuadir a Companhia das Índias Ocidentais da idéia empreendida na Bahia em 1624.

Governo da WIC


Vista do Recife por João de Laet (1664).
O Recife, conhecido como Mauritsstad (Cidade Maurícia), foi a capital do Brasil neerlandês, tendo sido governada na maior parte do tempo pelo conde alemão (a serviço da Coroa dos Países Baixos) Maurício de Nassau. O império neerlandês nas Américas era composto na época por uma cadeia de fortalezas que iam do Ceará à embocadura do rio São Francisco, ao norte de Alagoas. Os neerlandeses também conquistaram uma série de feitorias na Guiné e em Angola, o que lhes dava controle sobre o tráfico negreiro, juntamente com a produção de açúcar administrados pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie), a empresa para quem Nassau esteve a serviço, de 1637 a 1644.
O conde desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad, que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, e do prédio do observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo Mundo.
Maurício de Nassau praticou uma política de tolerância religiosa frente aos católicos e calvinistas. Além disso, permitiu a migração de judeus ao Recife e a criação de uma sinagoga, a Sinagoga Kahal Zur Israel, inaugurada em 1642 e considerada o primeiro templo judaico da América.
Nassau era também um entusiasta da ciência e das belas artes. Ao embarcar para o Brasil, trouxe uma plêiade de naturalistas e pintores para retratar e estudar a novo continente. Entre estes destacam-se os pintores Frans Post e Albert Eckhout, que retrataram as paisagens e os exóticos habitantes locais, o médico Willem Piso e o naturalista alemão Georg Marggraf, que estudaram a a fauna e a flora, a farmacopéia local e as doenças tropicais.
Nassau retornou à Holanda em 1644, demitido devido a desentendimentos com as autoridades da Companhia, que não se contentaram com o nível de lucros das possessões brasileiras. Os novos governantes holandeses entraram em conflito com a população, desencadeando a partir de 1643 uma insurreição - a chamada Insurreição Pernambucana - que terminaria com a expulsão definitiva dos holandeses em 1654. A economia açucareira local passou a enfrentar a competição das Antilhas Holandesas, para onde os holandeses levaram a tecnologia da produção de açúcar.

[editar] Mascates


Decoração barroca da Capela Dourada (inícios do séc. XVIII).
Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates (1710-1711), durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos.
Porém, essa revolta não prejudicou o crescimento do povoado do Recife, elevado à categoria de vila independente em 1710. Em 1711 moravam cerca de 16 mil pessoas na vila, e em 1745 a população ascendia a 25 mil. Apesar da queda nos preços do açúcar, construíram-se magníficos conventos e igrejas na cidade, com destaque para o Convento de Santo Antônio (construído majoritariamente no século XVIII), a Capela Dourada (terminada em 1724) e a Igreja de São Pedro dos Clérigos (começada em 1725).

Revoltas


Vista do Recife (1880-1885), foto de Moritz Lamberg, coleção Theresa Cristina
O início do século XIX no Recife foi marcado por revoltas inspiradas no ideário liberal vindo da Europa: comerciantes, aristocratas e padres, para exigir mais autonomia para a colônia. Entretanto, a classe dominante evitava questões como o fim da escravatura e dispensava a participação popular, temendo revolução.
Nesse mesmo século, ocorreram as revoluções mais conhecidas da História do Recife. A Revolução de 1817, a Confederação do Equador, de 1824 e a Revolução Praieira, de 1848. O Recife deixou de ser vila, não se subordinava ao poder central, nem estava subordinado a Olinda. Nesse tempo, iniciou-se um grande período de desenvolvimento da cidade. A elevação à categoria de cidade ocorreu em 1823.



Friedrich Hagedorn: Panorama do Recife em 1855
Nesse mesmo período a cidade buscou se modernizar usando como modelo as formas arquitetônicas européias (sobretudo a francesa), assim como a adoção dos costumes do Velho Mundo considerados "civilizados" tentando com isso se libertar da imagem de atraso atribuída ao seu passado colonial.

Século XX

No início do século XX, iniciou-se um período de agitação cutural e a encantadora Belle Époque mostrou a busca de novas linguagens para traduzir as velozes mudanças trazidas pelas novas técnicas.

PARABÉNS RECIFE !!!

fonte:WIKIPÉDIA

sexta-feira, 9 de março de 2012

A MÚSICA OUVIDA E A MÚSICA LIDA

A MÚSICA OUVIDA E A MÚSICA LIDA

1) As Vitrines (Chico Buarque)
O que você ouve:
Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão da tua mão
Olha pra mim, não faz assim, não vai lá não
O que você lê
Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não
2) Mand’ela (Zeca Baleiro e Chico César)
O que você ouve
Eu disse que vim do Senegal
montado num cavalo-de-pau
baiana me desmontou
olha que me queixo pro Tutu
baiana deixa disso
vou reclamar pro bispo, dito
O que você lê
Eu disse que vim do Senegal
montado num cavalo-de-pau
baiana me desmontou
olha que me queixo pro Tutu
baiana deixa disso
vou reclamar pro bispo, de tu.
FONTE: jornália do Ed (blog de meu maridão)

quarta-feira, 7 de março de 2012

A IMPORTÂNCIA DA MULHER NA SOCIEDADE MODERNA


Enfrentando diversas discriminações e adaptações em relação aos “afazeres puramente femininos”, como cuidar de casa e da família, a mulher conseguiu superar suas dificuldades e ainda administrar seu tempo a favor de suas atividades, para que as questões familiares não entrem em conflito com questões profissionais e sociais. A mulher ainda é alvo de grande discriminação por aqueles que ainda acreditam que “lugar de mulher é no fogão” e por isso enfrenta o grande desafio de mostrar que apesar de frágil é ainda forte, ousada e firme na tomada de decisões, quando necessário.

A mulher tem marcado as últimas décadas mostrando que competência no trabalho também é um grande marco feminino. Apesar de ser taxada como sexo frágil, a mulher tem se mostrado forte o bastante para encarar os desafios propostos pelo mercado de trabalho com convicção e disposição. A fragilidade da mulher, ou melhor, a sensibilidade da mulher, tem grande colaboração nas influências humanas que se tenta propagar na atualidade, pois, como se sabe, o mundo passa por transformações rápidas e desastrosas que precisam de mudanças imediatas. A mulher consegue transmitir a importante e dura tarefa de mudar hábitos com a clareza e a delicadeza necessária para despertar o envolvimento de cada indivíduo e a importância da mudança de cada um.

O avanço feminino frente à política e à economia ainda mostra a força da mulher em perceber e apontar os problemas tendo sempre boas formas de resolvê-los assim como os indivíduos do sexo masculino, o que evidencia o erro de descriminar e diminuir o sexo feminino privando-o a apenas poucas tarefas (domésticas).

A realidade do crescimento do espaço feminino tem sido percebida pela participação da mulher em diferentes áreas da sociedade que lhe conferem direitos sociais, políticos e econômicos, assim como os indivíduos do sexo oposto.
 




Parabéns pelo nosso dia!!!